AS FAVAS (Vicia faba)

José Miguel Fonseca

Planta herbácea proveniente da extensa família das leguminosas, agora renomeada Fabacea, é das culturas mais antigas, importante alimento desde a Idade da Pedra, era bastante apreciada pelos antigos Gregos, Egípcios e Romanos assim como em muitos países do Médio Oriente. A fava tem origem incerta, no entanto, admite-se que seja da região do Cáspio e Norte de África, é uma planta perfeitamente adaptada a climas mediterrânicos, onde tem um papel preponderante na dieta, especialmente no início da Primavera, quando existe pouca diversidade nas hortas, com a vantagem de ser muito rica em proteínas e hidratos de carbono embora pobre em vitaminas, contendo somente a B em quantidade moderada.

Ilustração da planta da fava com frutos 

A planta adulta forma um ou vários caules de tamanho variável que pode atingir em certas condições um metro e oitenta centímetros de altura. As hastes têm forma quadrangular com várias e curtas ramificações, as folhas são grandes, alternadas, compostas por um a três pares e possuem cor verde acinzentada. Têm flores muito grandes, irregulares, de cor toda branca ou manchadas com pintas pretas e matizadas de castanho ou roxo, algumas variedades apresentam-se com a cor vermelha carmesim. As vagens são alongadas, cilíndricas, por vezes achatadas, inchadas de comprimento indefinido, nas variedades forrageiras é apenas de seis a oito centímetros, por outro lado nas de mesa a dimensão pode atingir vinte ou mais centímetros. A casca é espessa, macia, lisa no exterior e felpuda no interior, onde aloja consoante a variedade quatro a nove sementes de tamanho incerto; pequenas e redondas nas variedades forrageiras, grandes e achatadas nas de mesa. Possuem textura tenra e carnuda quando verdes, tornam-se rijas e espalmadas na maturação completa, têm cor amarela palha, esverdeada, roxa ou negra. O olho ou umbigo é largo e coberto por uma rígida sobrancelha, facilmente removível.

 

Cultivo

A sementeira das favas é feita preferencialmente nos meses de Outubro, Novembro nas zonas mais temperadas, Fevereiro e Março nas frias e montanhosas. Semeia-se directamente em talhões previamente utilizados para uma cultura exigente, por exemplo: milho, couve, girassol ou cereal. Convém espaçar bem as plantas para facilitar o arejamento necessário para obter uma alta percentagem de flores fertilizadas e vingadas sem problemas de origem fúngica. As sementeiras realizadas em Outubro ou Novembro convém sachar ao atingirem dez centímetros de altura, para eliminar a concorrência das ervas e ao mesmo tempo amontoá-las para protecção contra as geadas, no caso de serem extremas podem queimar as folhas mas não o caule enterrado, este reage quando do aumento de temperatura e rapidamente se desenvolve. É uma cultura de sequeiro por excelência, salvo se forem semeadas tardiamente e a Primavera decorrer seca, nessa situação convém regá-las ou fazer nova amontoa seguida de um bom empalhamento. O ciclo da fava é anual, prolonga-se durante quatro a cinco meses e meio no caso de se realizar a

sementeira na Primavera, seis a sete meses para as de Outono. A germinação ocorre com temperaturas entre os cinco e os sete graus centígrados, a floração necessita de oito a dez graus, sendo quinze graus a mais adequada. Devem ser semeadas à profundidade de cinco a sete centímetros, após escolha dos melhores grãos, eliminando os partidos, muito furados ou disformes, em linha a lanço ou em covachos, distanciando os regos ou covachos quarenta a sessenta centímetros. As favas são frequentemente vulneráveis aos piolhos que atingem as pontas viçosas das plantas sufocando-as e como consequência atrofiando e parando a prolongação da parte vegetativa. Para evitar tal situação recorre-se à desponta; removendo a vegetação apelada de «cruta» acima da penúltima flor, este procedimento também estimula a formação de fortes vagens, terminando a fluidez da seiva para as pontas, re-dirigindo-a para as partes inferiores da planta, estimulando a frutificação. A colheita prolonga-se entre quatro a cinco semanas, ao fim das quais a planta começa a secar mudando progressivamente da cor verde para o negro. A recolha das vagens secas deve ser efectuada durante a manhã para não as abrir com o manuseamento, este procedimento é mais importante se toda a planta for colhida.

 

Plantas de favas já crescidas

Variedades

A erosão genética deste género é elevada e a promiscuidade entre as variedades ainda maior. Existem algumas variedades portuguesas muito interessantes, do ponto de vista agrícola e culinário, especialmente na zona sul do território. O Algarve é a região com mais tradição no cultivo desta espécie, por esse facto também é a que possui maior número de variedades conhecidas: a mais conhecida é a Algarvia, de vagens curtas, grãos achatados e curtos. A Assária ou comum, variedade do sul do Tejo, muito produtiva com numerosos afilhamentos, tem a particularidade de as vagens se orientarem de forma ascendente, vagens medianas com seis a oito grãos, de cor amarela-palha, grossas e alongadas. A roxa também Algarvia, produtiva, afilhamento mediano, vagens de tamanho moderado, grão grande de forma muito\achatada de roxo intenso quase negro, é variedade extremamente precoce, com paladar adocicado e de rápida cozedura.\Mais a norte temos algumas variações das\anteriormente descritas, além destas aparece\a Sete Bagulhos na região do Alentejo, a Saloia na região de Lisboa e concelhos próximos, a Cornicha para norte do Tejo, a Fava em Foz Côa, além de outras menos conhecidas e muito localizadas. Nas Ilhas há conhecimento de duas variedades Açoreanas, ambas em S. Miguel: a Grada como o nome indica é de grande calibre e a Três Luas de menor dimensão embora seja planta muito vigorosa e produtiva. As variedades forrageiras portuguesas cultivadas presentemente incluem apenas duas reconhecidas como tal: a Ratinha pequena e arredondada é utilizada para a alimentação animal e siderações, a outra é a Faverola naturalizada pela sua prolongada existência entre nós é de origem francesa, também utilizada para os mesmos fins da anterior.

 

Polinização

Apesar de se auto-polinizarem as flores das faveiras são muito atraentes para a maioria dos insectos activos nessa função e visitam-nos assiduamente provocando facilmente hibridizações só colmatadas através de um afastamento físico entre variedades de pelo menos oitocentos metros, a sementeira escalonada também pode evitar cruzamentos indesejáveis, tendo em conta o período de floração que se prolonga por quatro ou mais semanas. Além destas práticas, para pequenos cultivos pode-se recorrer a redes anti- insectos ou jaulas apropriadas, finalmente a alternativa mais segura será semear uma variedade por ano durante o período indicado de viabilidade da semente.

 

Obtenção da semente

Para efeito de obtenção de semente, as primeiras vagens são as preteridas, mais vigorosas e férteis. Malhar as vagens depois de bem secas e estaladiças, remover toda a matéria orgânica , através de joeira e crivos, escolher os melhores grãos, aqueles que não se apresentam partidos ou rachados, com as características da variedade, eliminar os outros, estes podem ser utilizados para transformar em farinha ou para a confecção de sopas e cozidos. Depois de limpas, secar novamente para retirar alguma humidade ainda presente, espalhando-as em sítio quente e arejado fora do alcance dos raios solares, ou no máximo por períodos muito curtos. Antes de armazená-las, convém utilizar alguma forma de desinfecção com o intuito de eliminar os ovos de parasitas, geralmente alojados em maior ou menor quantidade: uma delas é levá-las ao congelador durante quarenta eoito horas , no mínimo, retirá-las e secar novamente, armazenar em recipiente de lata ou vidro de preferência em lugar seco, escuro e fresco. Existem também algumas técnicas artesanais, embora eficazes no sentido de prevenir ataques de parasitas durante a conservação prolongada: uma delas é a utilização da planta espontânea chenopodium ambrosioides) vulgarmente conhecido por Erva Formigueira entre outros nomes, ao armazenar as favas colocar pedaços desta erva misturando-a com os grãos, esta receita foi anteriormente descrita em pormenor no boletim número oito. Outro modo de conservação presenciado e aparentemente com bastante êxito, é idêntico ao anterior só alterado pelo uso de outra planta, neste caso pedacinhos de malagueta bem seca, aqui é importante que o invólucro seja estanque e com a mínima entrada de ar.

E-Book: adicionado o Sustainable Agriculture de John Mason.(Inglês)

Este E-Book é o que mais se apróxima com os conhecimentos transmitidos ao longo curso de Agricultura Biológica da AGROBIO que recentemente frequentei, ainda que acrescente algumas das práticas da Permacultura e da Bio-dinâmica que considero úteis.

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Agenda: 8 e 29 de Novembro—6 de Dezembro—3 e 17 de Janeiro—14 e 21 de Fevereiro 14 e 28 de Março—18 de Abril - Sábados 14h00 às 18h00 - Curso de Introdução à Permacultura por João Jorge

Local: Quinta dos 7 Nomes, Colares, Sintra
Inscrição: 20 Euros por sessão

Programa:

Dia 1:
• Introdução
• Conceitos e princípios no Projecto de Permacultura
Dia 2:
• Métodos de desenho
• Compreensão dos padrões naturais
Dia 3:
• Factores climáticos
• A árvore e as transacções de energia
• “Food Forest”
Dia 4:
• Água
• “Harvesting water”
• “Keyline system”
Dia 5:
• Solo
• Composto
Dia 6:
• Movimentação de terras e recursos naturais
Dia 7:
• Estratégias para clima seco e trópico húmido
Dia 8:
• Clima temperado
Dia 9:
• Aquacultura
Dia 10:
• Estratégias e alternativas para uma nação global
Dia 11:
• Arquitectura Bioclimática e auto-sustentável
Agenda: 4 e 5 de Dezembro de 2008 - Conferência Natureza e Sociedade

Local: Gulbenkian, Lisboa
Inscrição: 20 Euros
Guia Prático: adicionado um Manual de Manufactura e Instalação de um Sistema de Aquecimento Solar de águas.(Português do Brasil)

Keywords: Energia, Solar